quarta-feira, 20 de abril de 2016

Mircalla

Escrevi este texto há um tempo... bastante tempo, na verdade... com o tempo, o original se perdeu e nunca mais encontrei... Eu tinha um carinho especial porque foi uma das minhas primeiras tentativas de escrever. Dia desses, pensei comigo mesma, eu ainda lembro da história - em linhas gerais - vou tentar reescrever... e saiu isto, hoje me soa meio pueril e bastante tosco, mas ainda tenho carinho. Julguem-me!   :-p


Mircalla


O cheiro de mofo incomodou seu nariz, provocando uma sensação desagradável, lembranças mórbidas de putrefação, decadência e morte. Sentia a pele gelada e pequenos arrepios causava um formigamento difícil ignorar. Abrindo os olhos para a escuridão total, ela prendeu a respiração. Onde estava? Esticou um braço, tateando à sua frente, tentando ter alguma noção do que a rodeava... e só encontrou o vazio.
Assustada, levantou-se, sentindo a cabeça girar. Era noite, só isto era evidente. E ela não estava em casa. Na escuridão, sua respiração ruidosa devido ao medo, ecoavam como gritos, enquanto ela, semi agachada, percorria o espaço, tateando lentamente na tentativa de descobrir onde estava. Suas mãos se depararam com alguns objetos de madeira, frios, úmidos, esfarelentos. Seus pés chafurdaram em poças e mais de uma vez, imaginou ter pisado em insetos, insetos gosmentos, cascudos. Melhor não pensar nisto.
Sua exploração não foi muito longe, o espaço era limitado por paredes, pelos quatro lados, duas das quais, pareciam acomodar grandes compartimentos, alguns abertos, alguns com portas concretadas, e com anéis metálicos que ela levou um grande tempo para distinguir. O lugar era escuro, úmido e fedia muito. Aquele cheiro a deixava zonza. Pelos cantos, conseguiu tatear os contornos de grandes caixas de madeira, algumas com tampas presas, outras soltas, que se ergueram facilmente a seu toque.
Confusa, agachou-se no canto oposto, o mais desatulhado que encontrou, e ergueu os olhos para um céu invisível. Seu estômago doía, contraindo-se em dolorosas câimbras, que a impediam de ficar em posição totalmente reta. Aquele cheiro lhe dava engulhos, nunca gostara do cheiro de umidade, da textura do mofo, lhe trazia maus pensamentos, remetiam a podridão, abandono, desespero. Seu cérebro, superexcitado, parecia se debater inutilmente entre as questões vitais daquele momento: Onde estava? Como viera parar ali? Como sairia?
Tentanto ignorar o efeito que aquele ar fétido tinha sobre seu organismo, tentou acalmar a si mesma, fechando os olhos, trocando uma escuridão desconhecida por outra, conhecida... e começou a respirar lenta e profundamente. Uma espécie de clareza tomou conta de sua mente e, pelo menos, os arrepios diminuíram até quase parar. De olhos fechados, foi inundada de súbita paz. Ao mesmo tempo, pelo poder da memória, sentiu em seu nariz o suave cheiro de flores do campo, e a textura macia de um tecido rendado raspando sobre seu rosto. Estava deitada, sentia as restrições de laterais que contornavam seu corpo. Lembra-se de ter tentado mover os pés, mas pareciam amarrados. As mãos, jaziam cruzadas sobre o peito, pacificamente, também fora incapaz de movê-las. Curioso, estava consciente, sentia, pensava, mas não conseguia se mexer. Estaria em uma espécie de brincadeira? Um sonho? Cânticos suaves entravam pelos seus ouvidos e sentiu-se sendo acarinhada, por sobre o tecido que a cobria, como num sono tranquilo. Por entre pálpebras que pareciam pesar toneladas, impossíveis de serem erguidas, sentia a luz tentando se infiltrar, mas, de forma um tanto vaga, relaxou os membros e deixou o cérebro viajar sem controle... certamente era um sonho. Um sonho esquisito, uma experiência extra-sensorial. Em meio aos cânticos, de repente ouviu gritos, choro, um som do mais puro desespero. Pensou reconhecer aquela voz, mas não conseguia se mexer para ver quem era. Algo líquido pingou em seu rosto, quente e vivo. Não pôde fazer nada. Não gostou do som daquele desespero. Tornava ruim, um sonho que de outra forma era bom. Aquela paz... jamais tinha sentido aquilo antes. Lembra-se de ter pensado que não se incomodaria nem um pouco de passar o resto da eternidade mergulhada naquela sensação. Passou-se um tempo, impossível de ser mensurado. Lembra-se de ter apagado, despertando subitamente ao sentir-se em movimento. A insinuação de luz fora cortada, sentiu que um objeto grande obliterava a luz externa, até cortá-la por total, os cânticos foram abafados, o cheiro das flores ficou, primeiramente muito mais intenso, e não demoraram a cheirar mal. Com um grito intenso que só soou dentro de sua prória mente, ela apagou.
E acordou ali. Seja onde for este “ali”.
Onde estava?
Abriu os olhos, lentamente, esperando que tivesse havido uma mudança de ambientação enquanto os mantivera fechados. Mas não, claro. O que estava pensando?
Subitamente, um raio de luz prateado refletiu-se no chão à sua frente, vindo do alto. Rapidamente elevou o olhar, e viu que alguns metros acima, havia uma espécie de pequena janela, por onde se infiltrava o que provavelmente era a luz da lua. Aquele feixe de luz fazia pouco para revelar seus arredores, mas ao menos, era algo ao que se apegar. Se havia uma janela, havia uma saída. Levantou-se e viu que, mesmo em pé, a distância até a saída era considerável. Não era possível escalar a parede lisa, tentou apoiar-se em algumas reentrâncias, e lamentavelmente, após alguns segundos, caiu de costas, no chão empoçado. Ficou deitada ali, sem forças e sem ideias, até que sentiu algo rastejando pelo seu braço. Com um impulso cheio de nojo, abanou o braço e deu um grito que soou alto como um tiro no espaço enclausurado. As contrações em seu estômago ficavam cada vez mais fortes e ela se encolheu para vomitar. Não pôde conter o jorro quente e ácido de bile que lhe subiu pela garganta, mas pouco saiu. Sua tontura se intensificou e, por um momento, pensou em desistir. Somente o pensamento do que poderia haver naquela escuridão, à sua espreita, algum terror desconhecido e indescritível é que a fez pôr-se em movimento de novo.
Lembrou-se das caixas e das madeiras jogadas a um canto daquele antro e pôs-se a juntá-las, como forma de ter o que escalar para vencer a considerável distância que havia entre o chão onde estava e janelinha que parecia ser sua única rota de fuga. Amontoou-as de qualquer jeito, surpreendendo-se com o peso de algumas, e a leveza de outras, e começou a escalar, pisando de qualquer jeito. Seu pé afundou, quebrando uma das tampas das caixas e ela sentiu-se caindo, afundando no que quer la que fosse que aquela caixa encerrava, e morrendo de medo, começou a se debater, temendo que fossem animais, talvez peçonhentos. Ante a ausência de movimento, viu que, seja lá o que a grande caixa encerrasse, não era nada vivo, tateou o conteúdo, estremecendo ao sentir com a ponta dos dedos, restos esfarelentos de trapos de tecidos, e o contorno do que pareciam ossos. Quando seus dedos se afundaram em órbitas vazias e tatearam o contorno arredondado de um crânio, ela abafou um grito e caiu de novo.
Caiu mal. Em cima de sua perna, dolorosamente contorcida. Incapaz de controlar o choro, achou que ia morrer. Pois sabia agora onde estava. De algma forma estava em um túmulo, cercada pelos que foram enterrados ali antes dela. Agora a sua lembrança daqueles momentos de “paz” faziam sentido. Era seu velório! Estava morta? Como pode ser? Sentia-se tão viva, movia-se, pensava, gritava, vomitava... isso não podia ser a morte. Não era. A morte eram aqueles ossos inertes dentro daquele resto de caixão. Ela estava viva. Viva.
Retirando força daquele pensamento, tornou a escalar o amontoado de caixões (não havia motivos para continuar chamando-os de caixas agora), e cuidadosamente apoiando-se na parede coberta de limo, conseguiu chegar à janelinha e olhar para fora. Estava muito suja e mostrava muito pouco. O vidro, grosso e empoeirado, era emoldurado por ferro entalhado, em delicados rococós, mas para ela, tinham gosto de morte. Empurrou e nada da janela abrir. Desesperada, esmurrou o vidro algumas vezes, até conseguir rachá-lo, continuou a bater até conseguir uma abertura mínima, e quando consegiu passar a mãos, tateou as laterais externas da janelinha, em busca de um ferrolho, um modo de abri-la. Conseguiu e quase chorou de novo ao erguer o corpo para passar pela portinhola e cair no mundo real de novo.
Era noite, de fato. A escuridão externa também era intensa. Nuvens cobriam a lua e uma garoa triste cobria o mundo de inúmeras gotículas que brilhavam fracamente, como diamantes sujos.
O túmulo de onde saiu não tinha identificação, ela não reconheceu o cemitério onde estava. Parecia um labirinto. O labirinto mais triste do mundo. Puxando a capa que usava mais para junto de seu corpo, ergueu o rosto para sentir a garoa lavar suas lágrimas. Jamais se sentira tão sozinha e desamparada. Escapara da escuridão da morte, mas o mundo exterior não lhe parecia assim tão vivo. Seu corpo ainda doía, seu estômago parecia em chamas. Ela não sabia para onde ir. Ou o que fazer. Parecia necessitar algo, mas não sabia o que.
Pôs-se a vagar, não podia mais ficar parada. Uma hora a luz viria. Teria de amanhecer em algum momento.
Ao fazer uma curva em uma das infinitas vias de túmulos desconhecidos, alguns ornados, imensos, outros simplórios, semi-destruídos, ela ouviu um som que imediatamente captou sua atenção.
Parecia um soluço.
E vinha de algum lugar à sua esquerda.
Curiosa, pôs-se a ir naquela direção. À distância, viu que havia um homem debruçado em um dos túmulos menos ornados. Ele trazia uma garrafa na mão e soluçava abertamente. A dor que emanava dele em ondas, atingiu-a como uma labareda em meio a ao frio que a rodeava, o que a fez cambalear um pouco. Aqueles cabelos escuros dele, pareciam de alguma forma, familiares. Evocavam mais uma sensação, que uma lembrança, propriamente dita. Sensação de dedos se entremeando a fios espessos e rebeldes.
Indecisa em se aproximar ou não, mas cada vez mais curiosa, observou o rapaz, que vestia uma roupa esquisita, mas ainda bela. Parecia envolto em trevas, só assim podia descrever. Tudo nele era preto, as calças, camisa, casaco e botas. Ele murmurava e bebia, murmurava e bebia. Totalmente perdido em sua dor. Alheio a qualquer presença. Ela devia sair, devia se afastar. Aquela dor era pessoal demais, pertencia só a ele.
Ela deu alguns passos hesitantes na direção dele, incapaz de evitar.
Ele não notou sua aproximação até ela estar bem a sua frente. Erguendo os olhos vidrados na sua direção, ele pareceu – literalmente – ver um fantasma.
– Você... – ele murmurou, empalidecendo, mas ao mesmo tempo, com os olhos a brilhar.
– Eu... quem é você?
– Eu venho aqui há tanto tempo... já não achava mais que iria encontrá-la.
– Como... como sabia que eu estaria aqui?
Mais perto dele, ela olhou a identificação do túmulo sobre o qual o rapaz se debruçara: “Mircalla Nightshade 1875 – 1895”.
Reconheceu o nome. Reconheceu o inferno repetitivo em que vivia desde sua morte. O esquecimento, a recordação e o esquecimento de novo. Seria ele parte disto? Isto já teria acontecido outras vezes? Não sabia, mas a sensação de estar com ele era como estar em casa. Achava que teriam tempo para descobrir. Talvez juntos.
Ao abrir os braços para acolhê-lo, teve a impressão de que, tempo, era algo que ela tinha de sobra.


(ainda em desenvolvimento...)

domingo, 10 de abril de 2016

The Beast (IAN #14) - J. R. Ward

Livro: The Beast (BDB#14)
Autora: J. R. Ward
Lançamento: 05/04/2016

Esta semana foi o lançamento do 14º livro da série Irmandade da Adaga Negra nos EUA. Saiu logo no dia 05/04 e eu já li para poder compartilhar com vocês as minhas impressões.



Rhage e Mary estão de volta em um novo livro da Irmandade da Adaga Negra, uma série "tão popular que duvidamos que algum leitor atualmente desconheça sua existência" (USA Today)

As coisas mudaram para a Irmandade da Adaga Negra. Depois de evitar a guerra com os Sombras, alianças foram forjadas e fronteiras tiveram de ser estabelecidas. Os assassinos da Sociedade Lessening estão mais fortes do que nunca, se aproveitando de fraquezas humanas para adquirir mais dinheiro, mais armas, mais poder. Mas enquanto a Irmandade prepara um ataque frontal contra eles, um dos seus enfrenta uma batalha contra si mesmo...

Para Rhage, o Irmão dos maiores apetites, mas também com o maior dos corações, a vida deveria ser perfeita - ou, ao menos, perfeitamente agradável. Mary, sua adorada shellan, está ao seu lado e o Rei e seus irmãos estão prosperando. Mas Rhage não consegue entender - ou controlar - o pânico e insegurança que o afligem...

E isto o assusta - além da crescente distância entre ele e sua companheira. Após ferido mortalmente em batalha, Rhage precisa rever suas prioridades - e a resposta, quando lhe ocorre, tira o seu mundo do eixo... e o de Mary também. Mas Mary está em presa em sua própria jornada, uma que fará com que eles se aproximem ou causará uma ruptura da qual jamais se recuperarão. 

******

Bom, já sabemos que, depois do livro O Rei (IAN #12), a autora vem dando a volta olímpica, revisitando a história dos casais dos primeiros livros, e como até agora já tivemos o de Wrath&Beth (casal do primeiro livro, revisitados em "O Rei") e agora Rhage&Mary (casal do segundo livro, revisitados neste "The Beast"), eu apostaria que, no próximo volume, teremos um pouco mais de Zsadist e Bella? Será? Se for, mal posso esperar. Z&Bella formam o melhor casal da série, na minha opinião, e o livro deles, o terceiro (Amante Desperto) ainda é o melhor para mim!

Em The Beast, a Ward finalmente foge daquele padrãozão chato que vinha se impondo nos últimos livros da série: aquele emaranhado de histórias paralelas (*coff-chatas-coff*) interrompendo os capítulos cruciais. Vemos poucas histórias paralelas, mais especificamente, uma: uma nova personagem é introduzida, a humana Jo Early, quem, vemos bem no finalzinho que tem um pezinho de sua história entremeada à Irmandade, então a história dela não é assim, digamos, gratuita. Parece ter razão de ser. DESDE QUE a Ward retome e a desenvolva no(s) próximo(s) livro(s) e não vire somente mais uma "ponta solta" que vai ficando série afora.

Mary está com problemas lá no Lugar Seguro, uma das mães abrigadas por lá, morre, deixando órfã uma garota, Bitty, a quem Mary se apega muito. Já tínhamos tido mostras em livros anteriores (acho que em The Shadows) que Mary, (estéril após o tratamento para câncer e a "graça" concedida pela Virgem Escriba) queria ser mãe e tudo indicava que rolaria mesmo adoção relacionada a algum caso do Lugar Seguro. Recapitulando: mãe e filha eram abusadas por um pai violento, a Irmandade as resgata, matando o abusador, e - despedaçadas - elas se abrigam no Lugar Seguro. A mãe jamais se recupera totalmente. Descobre estar grávida. Gravidez complicada. Entra em trabalho de parto prematuro. (o bebê que eu achei que R&M adotariam). O bebê morre. A mulher não se recupera. Morre também. Bitty, uma vampira pretrans fica sozinha no mundo. Rá.

Rhage, por sua vez, se vê ainda com os faniquitos que tinha sentido já em The Shadows (quem lembra que ele passou o livro todo em meio a "uhs" e "ahs"?) A Ward até imergiu o cara em uma porção de crises existenciais, a coisa do "o que é que me falta?", ao sempre presente e crescente distanciamento entre ele e sua companheira, mas no finalzinho das contas, eu não comprei muito esta crise dele... nada a ver com a personagem construída ao longo de doze livros. Mas enfim, ela tinha de "enfiar" a Bitty e a maternidade de Mary na vida dele, e tornar isto algo significativo e intenso. Ok, dou um desconto.

O livro se chama The Beast (A besta/fera). Rhage, quem conhece a história, carrega dentro de si um dragão, que é libertado em momentos de tensão/grande emoção = batalha. Pelo livro se chamar The Beast, eu esperava mais aparições, mas só teve duas passagens significativas em que A Fera salvou o dia. 

Neste livro, alguns personagens que andavam sumidos deram as caras, ainda que de passagem: os lessers, o Omega, a Virgem Escriba. O que deu um tonzinho de volta aos primórdios da série, quando a luta contra os lessers era realmente o foco da coisa toda.

Assail se desenvolve maravilhosamente. Ele vinha sendo sistematicamente odiado nos últimos livros, com aquele vício chato de cocaína dele + o lenga-lenga com a chatérrima da Sola (que, graças a le bon Dieu, não aparece em The Beast), mas vemos que ele em carreir solo tem potencial para ser um graaaande personagem... 

Os gêmeos de Layla finalmente nascem. Esta há de ser a gravidez mais LONGA da história, durou 4 livros (PQP) aí eu fico feliz achando que agora ela está livre e desimpedida para encontrar seu HEA com o Xcor, não é? Não, claro que não. Daí a Ward enfia o pobre do Xcor em um coma (que provavelmente vai durar mais uns 3 ou 4 livros, com potencial de ser o coma MAIS LONGO DA HISTÓRIA). Putaquepariu, Ward.  Faz logo uma noveleta destes dois e passa para o próximo perrengue da série, plis!

Não estou muito a fim de dar spoilers (ouvi dizer que spoilear está a ponto de entrar para a lista de pecados capitais, que passarão a ser 8, ao invés dos 7 conhecidos), mas temos várias revelações neste livro. Além da já citada Jo, que ao fim se descobre ser irmã de alguém da Irmandade, temos o resgate de um escravo de sangue, Markcuz, quem não ficou muito claro a que veio, mas que pode render bastante história. A Virgem Escriba pendura a chuteira (morre ou se aposenta) e diz que vai nomear um sucessor. Laya, pesquisando sobre Xcor nos arquivos do Santuário, descobre que o bastardo é irmão de um dos Irmãos. A sexualidade de Throe é posta a prova... Ehric e Evale, primos de Assail, tem até que bastante destaque, e rola umas cenas hot deles bem interessantes com uma assanhada qualquer da glymera. Enfim... parece um livro da Irmandade aos moldes antigos. 

Gostei, só não amei porque achei golpe baixo o que ela fez com Layla&Xcor.

See ya!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Joe Hill - The Fireman

Livro: The Fireman 
Autor: Joe Hill
Lançamento: 17/05/2016


Do premiado autor dos bestesellers do The New York Times, NOS4A2 e Estrada da Noite, vem um arrepiante roance sobre uma pandemia mundial de combustão espontânea que ameaça reduzir a civilização a cinzas e um grupo de heróis improváveis que lutam para se salvar, liderados por um homem poderoso e enigmático conhecido como "o Bombeiro".


O Bombeiro está vindo. Fiquem frios.

Ninguém sabe exatamente quando começou ou de onde se originou. Uma terrível nova praga se espalha como uma queimada pelo país, atingindo as cidades, uma a uma: Boston, Detroit, Seattle. Os médicos chamam-na "Draco Incendia Trychophiton". Para todo o resto ela é "Escama de Dragão", um esporo mortal, altamente contagioso que marca seu hospedeiro com belas marcas pretas e douradas sobre a pele de todo o corpo - antes de fazer eles explodirem em chamas. Milhões são infectados: chamas se erguem por todo o canto. Não há antídoto. Ninguém está a salvo.

Harper Grayson, uma enfermeira dedicada e compassiva, tão pragmática quanto Mary Poppins, trata centenas de pacientes infectados antes de seu hospital queimar até não restar nada. Daí ela descobre as denunciadoras marcas douradas em sua pele. No início da epidemia, ela e seu marido, Joakob, tinham feito um pacto: eles assumiriam controle da situação em suas próprias mãos caso se infectassem. Para desalento de Jakob, Harper quer viver - pelo menos até o feto que traz na barriga se desenvolver e nascer. No hospital, ela havia testemunhado mães infectadas darem a luz a bebês saudáveis e ela acredita que o dela também ficará bem... se ela conseguir sobreviver até o parto.

Convencido de que sua esposa boazinha tinha passado-lhe a doença, Jakob se descontrola e eventualmente a abandona, ao mesmo tempo em que sua plácida comunidade da Nova Inglaterra colapse em terror. O caos origina crueis Pelotões de Cremação - armados, auto-empossados varrem as ruas e florestas para exterminar aqueles que eles acreditam estar infectados pelo esporo. Mas Harper não está tão sozinha quanto temia: um misterioso e atraente desconhecido com quem ela cruzou brevemente no hospital, um homem que usa um velho e sujo casaco amarelo de bombeiro, carregando uma barra de ferro com ponta em gancho, se equilibra no abismo entre a insanidade e a morte. Conhecido como O Bombeiro, ele percorre as ruínas de New Hampshire, um homem louco afligido pelas Escamas de Dragão, que aprendeu a controlar o fogo denro de si, usando-o como um escudo para protegê-lo, quando caçado... e como uma arma para vingar os injustiçados.

Na estação desesperada que está por vir, enquanto o mundo queima fora de controle, Harper deve desvendar os segredos do Bombeiro, antes que a sua vida - e a de seu filho, ainda por nascer - vire fumaça.



Adivinha quem já leu?
Euzinha aqui  :D

Gostei do livro... confesso que esperava mais do final. Mas é uma bela história, bem escrita, com muitas referências à cultura pop (músicas, bandas, autores - menciona-se inúmeras vezes a Rowling, livros - O senhor dos anéis, Nárnia, acontecimentos políticos, menção relâmpago a uma obra do King - Shawshank Redepmtion, e a sua própria Christmasland, de NOS4A2) e bastante humor (negro). 
Gostei muito das personagens da enfermeira Greyson e do John Rookwood, muito mesmo, aquele gostar de se apegar com carinho e torcer muito por eles até o fim. Ele, particularmente, é um personagem encantador, cheio de mistérios, mas de um humor irresistível, com toda pinta de super-heroi - ainda que, algumas vezes, bem caricato. A enfermeira é incrível, forte e a verdadeira heroína da história. Os personagens que orbitam ao redor deles também são bons, dos vilões aos figurantes.

O epub a que tive acesso tem 723 paginas, então tem muito espaço para explorar até mesmo os mistérios dos personagens secundários.
Sobre a história: uma epidemia mortal se espalha pelo mundo, uma doença cujo sintoma principal são: inicialmente marcas na pele - chamadas de escamas de dragão - e que, na evolução, leva a pessoa a combustão espontânea. A sociedade enlouquece, governos ruem e seres humanos recuam a um estágio primitivo de sobrevivência e auto-preservação: os sãos passam a caçar os infectados como se fossem zumbis (altas cenas a la TWD) e o inferno se abate sobre a terra. A maioria dos infectados morrem em semanas (causando enormes danos colaterais como incêndios, queimadas em matas e infectando a inúmeros outros, no processo) mas algumas pessoas sobrevivem mais tempo com a doença. 
Estudos não conseguem chegar a conclusão alguma e, o medo junto com a falta de conhecimento sobre o "draco incendia trychophyton" cria um estado total de isolamento, paranoia e muita violência.
Algumas pessoas, descobrem como "controlar" os sintomas da doença, e vemos então uma comunidade de infectados sobreviventes que vivem num clima de pseudo-religião em relação à doença. (qualquer semelhança com The Stand, não me pareceu mera coincidência... temos até uma Mãe Carol, para combinar com a Mãe Abagail, ah, temos até um Nick surdo-mudo... ou viajei?) 
Mas o que parece um refúgio paradisíaco e acolhedor, em contrapartida ao ambiente hostil do exterior, logo mostra também seus perigos. Humanos, ah, sempre os humanos....
Só acho que personagens tão queridos mereciam um final melhor. 
Será que haverá mudanças até o lançamento? Fica a dúvida...

sábado, 2 de janeiro de 2016

Livros que li em 2015

1 - Eu vejo Kate - Claudia Lemos
2 - Seguindo a Correnteza - Agatha Christie
3 - A noite das bruxas - Agatha Christie
4 - Dragão Vermelho - Thomas Harris
5 - O Clube do Livro - Mary Alice Monroe
6 - A Metade Negra - Stephen King
7 - Meu Coração de Pedras Pomes - Juliana Frank
8 - Portal do Destino - Agatha Christie
9 - O Clube das Terças-feiras - Agatha Christie
10 - A Testemunha Ocular do Crime - Agatha Christie
11 - O Dominador - Tess Gerritsen
12 - Vlad - Christopher Humphreys
13 - Eu sou Malala - Malala Yousafzai, Christina Lamb
14 - O anel do magnífico - Agustin Bernaldo Palatchi
15 - Reze pelas mulheres roubadas - Jennifer Clement
16 - O Pecador - Tess Gerritsen
17 - A Morte de Sarai - J. A. Redmerski
18 - Dublê de Corpo - Tess Gerritsen
19 - Desaparecidas - Tess Gerritsen
20 - Four Past Midnight - Stephen King
21 - Eu Christiane F., A vida apesar de tudo - Christiane Vera Felscherinow, Sonja Vukovic
22 - O Despertar da Bela Adormecida - A. N. Roquelaure (Anne Rice)
23 - A Idade do Ferro - J.M. Coetzee
24 - Caixa de Passaros - Josh Mallerman
25 - The Hellbound Heart - Clive Barker
26 - Silo - Hugh Howey
27 - Ordem - Hugh Howey
28 - The Shadows - J. R. Ward
29 - Ritos de Adeus - Hannah Kent
30 - Sobre a Escrita - Stephen King
31 - O Voo da Libelula - Michel Bussi
32 - A volta do parafuso - Henry James
33 - Ao Cair da Noite - Stephen King
34 - O Grande Deus Pã - Arthur Machen
35 - Crash - J. G. Ballard
36 - Misery - Stephen King
37 - Finders Keepers - Stephen King
38 - Iscas - J. Kent Messum
39 - Terra em Chamas - Bernard Cornwell
40 - Tocando A Distância (Joy Division & Ian Curtis)- Deborah Curtis
41 - Doutor Sono - Stephen King (releitura)
42 - Escuridão Total Sem Estrelas - Stephen King
43 - It - Stephen King
44 - A garota no trem - Paula Hawkins
45 - Jogo Perigoso - Stephen King
46 - Climax - Chuck Palahniuk
47 - A Garota Na Teia de Aranha - David Lagercrantz
48 - O Vilarejo - Raphael Montes
49 - O Apanhador de Sonhos - Stephen King
50 - O Demonologista - Andrew Pyper
51 - Revival - Stephen King
52 - Eclipse Total - Stephen King
53 - Devoradores de Mortos - Michael Crichton
54 - Iluminadas - Lauren Beukes
55 - Pesadelos e Paisagens Noturnas vol 1 - Stephen King
56 - Hellraiser - Clive Barker
57 - Voices from Chernobyl - Svetlana Alexievich
58 - Coração Assombrado - Lisa Rogak
59 - Elevador 16 - Rodrigo de Oliveira
60 - Zoo - James Patterson
61 - The Bazaar of Bad Dreams - Stephen King
62 - Manson, a Biografia - Jeff Gunn
63 - Pesadelos e Paisagens Noturnas vol 2 - Stephen King
64 - A Happy House in a Black Planet / Introdução a Subcultura Gotica - H. A. Kipper
65 - O Sorriso da Hiena - Gustavo Ávila
66 - Sweet Ruin - Kresley Cole
67 - Blood Kiss - J. R. Ward
68 - A Filha - Jane Shemilt
69 - A cidade da meia noite - J. Barton Mitchell

Cheguei ao dia 31/12 com pelo menos 10 livros não terminados. Dezembro foi um mês terrível para concentração/leitura...


Em retrospecto, os melhores do ano - não por serem os mais massudos, intelectuais ou literários, por assim dizer, mas por eu ter lido com uma sensação de contentamento, prazer, entusiasmo ou ter me deixado de boca aberta de surpresa e dado aquela bela deprê após terminar a leitura, foram: 

- It - Stephen King
- Voices from Chernobyl - Svetlana Alexievich
- Caixa de Passaros - Josh Mallerman
- Silo - Hugh Howey
- Ao Cair da Noite - Stephen King
- Eu vejo Kate - Claudia Lemos
- O Vilarejo - Raphael Montes
- Eclipse Total - Stephen King
- Coração Assombrado - Lisa Rogak
- Manson, a Biografia - Jeff Gunn


Feliz Ano Novo, desejo um ano repleto de bons livros para todos nós!

See you!

domingo, 23 de agosto de 2015

Paula Hawkins - A Garota no Trem

A Garota no Trem - Um dos maiores fenômenos editoriais dos últimos tempos, o thriller psicológico The Girl on the train, de Paula Hawkins, surpreendeu até mesmo seus editores e a própria autora, nascida e criada no Zimbábue, que vive em Londres desde os 17 anos: em menos de um mês, o livro – que vem sendo comparado pela crítica a uma mistura de Garota exemplar e Janela indiscreta – ultrapassou a impressionante marca de 500 mil exemplares vendidos e alcançou o primeiro lugar nas listas de mais vendidos em todos os países em que foi publicado (Reino Unido, Irlanda, EUA e Canadá) desde seu lançamento em janeiro. A trama, que gira em torno do desaparecimento de uma jovem mulher, com três narradoras femininas duvidosas, conquistou fãs como o mestre do mistério Stephen King, que publicou em sua conta do Twitter que o “excelente suspense” o manteve acordado a noite inteira: “a narradora alcoólatra é mortalmente perfeita”. 
O livro segue uma linha de recentes sucessos literários de uma nova geração de autoras que vem redefinindo as convenções do gênero policial, com personagens femininos complexos que fogem do estereótipo de vítimas ou megeras, e tramas que criam suspense a partir de evoluções psicológicas sutis e dinâmicas ardilosas do casamento e relacionamentos. Com os direitos vendidos para 37 países e uma adaptação para o cinema em andamento pela Dreamworks, o romance será publicado no Brasil pela Editora Record em junho, com o título A garota no trem.

***

O livro tem um começo e um final espetaculares... mas confesso que senti um certo arrastar-se na parte do meio, só não acho que chegou a 4 estrelas por causa disto.
A personagem principal, Rachel, é uma heroína controversa. No começo a gente morre de dó dela, dá para sentir intensamente suas emoções, decepções, dores, ressentimentos - enquanto a história é narrada pelo seu ponto de vista. 
Ela vem e vai de Londres até a cidadezinha onde trabalha, em viagens diárias de trens. Sua distração é observar as casas existentes na beira da estrada de ferro. Tentar imaginar o que há atrás de cortinas fechadas, portas entreabertas e viajar nas vidas, dores e amores que possam se desenrolar dentro daquelas paredes. Concentra especial atenção à um certo trecho, descobrimos depois que ela já morara naqueles arredores, e que seu ex-marido (de quem se separara dolorosamente há 2 anos) vive ali com sua atual esposa e filha. Rachel é uma pessoa problemática. Extremamente presa a laços, ilusões e anseios passados, sente-se acorrentada e constantemente dilacerada na roda da tortura eterna que foi o seu processo de separação e divórcio... além disto ela uma alcoólatra, o que faz com que o leitor tenha constantemente ganas de entrar no livro e lhe dar um chacoalhão para ver se ela cai na real e para de fazer merda. Ao lado da casa que era dela (e que atualmente o ex-marido brinca de família feliz com a mulher com quem a traiu, enquanto estavam casados) mora um jovem casal, a quem Rachel, todos os dias consegue ver em horário certo na varanda, interagindo amorosamente um com o outro. Rachel logo inventa uma linda história para eles, em sua mente, dá-lhes nomes e características de personalidade, inventa profissões, afazeres, preocupações, tudo naqueles ínfimos intervalos quando o trem para no sinal em determinado ponto de sua viagem. O interessante, na verdade, é que apesar de Rachel enganar a si mesmo de que seu interesse real é o casal inventado Jess e Jason, seu coração e sentidos estão todos voltados para a casa ao lado, ao casal ao lado. É um interessante mecanismo de transferência, fuga do olhar-ou-não-olhar, ao qual ela está presa em sua mente ferida.

** Confesso que, particularmente, esta fase do livro para mim, foi dolorosa de ler. Me senti totalmente imersa na dor e no sofrimento dela. Em minha outra vida, vivi algo semelhante, e declaro que, com toda certeza, após uma separação devia ser obrigatória uma ruptura TOTAL. Passar em frente à antiga casa, ou vê-la a distância (ainda mais quando a outra metade da laranja podre ainda lá reside), torna totalmente impossível fazer as pazes com a ruptura, impede que a ferida cicatrize. Ela sempre sangra. E isso ninguém merece. Eu chorei com a Rachel em várias dessas passagens. Chorei mesmo. ***
Mas voltando aos amigos íntimos de Rachel, Jess e Jason. Durante meses, Rachel acompanha a vida dessas duas personagens que levam a vida que ela queria ter. Um casal perfeito, apaixonado, bonitos e felizes em uma casa sólida, numa bonita vizinhança. Perfeitos. Sóbrios.
Em certa altura, ela deixa de ver Jess. Um dia, dois dias, o trem passa por lá e não vê nada... Logo os jornais noticiam o desaparecimento de uma mulher, e ela vê que a "sua" Jess, chama-se Megan, e o marido, não é Jason, e sim Scott. Envolvida como se sente por eles (como ela sente que "os conhece") ela acaba envolvendo-se na investigação do desaparecimento daquela conhecida-desconhecida, deparando-se com mistérios e segredos que jamais desconfiaria.

O livro divide a narrativa em três pontos de vista. Ora temos o ponto de vista de Rachel, ora o de Megan, ora o de Anna (a atual esposa do ex-marido de Rachel). Através das páginas vemos que ninguém presta. Sério. É difícil solidarizar-se com alguém ali (acho que tive mais do da amiga Cathy de Rachel do que de qualquer um ali... tudo pão bolorento, como diz o ditado - rsrs) Mas Rachel é nossa heroína, e apesar de vê-la páginas após páginas fazendo merda (estilo não vou mais beber --- cai de bebada --- não vou mais beber --- cai de bêbada) ainda nos pegamos torcendo por ela. Um dos problemas e que dá aflição acompanhar na parte mais arrastada é justamente que algumas chaves para o mistério estão ocultas sob a nuvem de um apagão de embriaguez da Rachel. Então, nós, leitores somos arrastados por várias situações confusas, incertas e cheias de "será que eu vi isso mesmo?". É um recurso legal, claro. Mas eu sinto que a autora exagerou um pouco e me vi várias vezes exasperada, com a impressão de que esse livro não ia acabar nunca - rsrs.
Porém, mais para o final, o livro retoma o ritmo e o desfecho é muito legal.
Confesso que eu já suspeitava desde o princípio. Não dos "como", só fazendo uma ligeira ideia dos "porquês", mas definitivamente sabia o "quem". O que não me impediu de ser carregada daqui para ali com as dúvidas que a autora plantou no decorrer da história...

sábado, 22 de agosto de 2015

Wave Winter Festival - SP - 29/08/2015

Em fevereiro fiz um post sobre o Wave Summer Festival, aquele festival alternativo fabuloso que aconteceu em Cotia, cheio de bandas internacionais fantásticas (Das Ich, Ataraxia, Merciful Nuns - nem acredito que conseguir tirar uma foto com a Francesca Nicoli, gente!) e bandas nacionais idem.... Quem não lembra, postei aqui.


Para (não) falar em livros desta vez, volto a falar de outra de minhas paixões: música, porque daqui a sete dias acontecerá a edição de inverno do Festival da Wave, o Wave Winter Festival...




O formato deste festival é inovador aqui no Brasil, pois vai rolar em 4 locais. Começa no Carioca Club e depois continua nos clubes Madame (antigo Madame Satã/Morcegóvia), Templo Club e The Atmosphere. Esses clubes ficam 5 minutos a pé um do outro e será possível circular livremente entre eles. 

No Carioca a festa começa as 13h (abertura da casa discotecagem) e as 14:30 primeiro show. O local fica 300m do metrô Faria Lima e tem toda estrutura destinada a shows. Lá tocam:

Skeletal Family

E rola também discotecagem entre os shows e feira alternativa.
As 21 horas, o festival continua nos 3 clubes da Bela Vista e entre shows, discotecagens e autógrafos a festa vai até as 6 da manhã... São 17h seguidas de festa!!!
E as bandas que vão tocar na segunda etapa do evento são:
Vão rolar nas três casas 4 shows + 6 sessões de autografo, além de discotecagem a noite toda, inclusive com os integrantes das bandas Skeletal Family, The Frozen Autumn e Invincible Spirit como dj's e além de pegar autografo estará disponível merchandise oficial das bandas para compra.
É festa que não acaba mais. Os shows foram organizados e os horários distribuídos de forma que o público possa assistir a quase todos (só os últimos é que ficaram meio encavalados, mas está valendo!)
Para mais informações, horários, preços e demais condições, acessem o site oficial do evento.


Estarei lá, na primeira fila, agitando pompons para a fantástica banda do meu marido, o In Auroram... quem não conhece, é essa maravilha dos vídeos abaixo <3   Mas também sei que vai ser incrível ver The Frozen Autumn e Harry. As outras bandas, não conheço muito (mas vai ser bom conhecer!)






quarta-feira, 19 de agosto de 2015

DarkSide Books anuncia lançamento de Hellraiser - Renascido do Inferno

Novidades da Editora DarkSide Books  \o/


OS CENOBITAS ESTÃO CHEGANDO.



Escrito em 1986, HELLRAISER - RENASCIDO DO INFERNO apresentou ao público os demoníacos Cenobitas, personagens criados por Clive Barker que hoje figuram no seleto grupo de vilões ícones da cultura pop como Jason, Leatherface ou Darth Vader. Toda a perversidade desses torturadores eternos está presente em detalhes que estimulam a imaginação dos leitores e superam, de longe, o horror do cinema.

Clive Barker escreveu o romance HELLRAISER - RENASCIDO DO INFERNO (The Hellbound Heart, no original) já com a intenção de adaptá-lo ao cinema. O cultuado filme de 1987 seria sua estreia na direção, e ele usou o livro para mostrar todo seu talento como contador de histórias a possíveis financiadores. Nas palavras do próprio Barker: “A única maneira foi escrever o romance com a intenção específica de filmá-lo. Foi a primeira e única vez que fiz assim, e deu resultado”.

De leitura rápida e devastadora, HELLRAISER - RENASCIDO DO INFERNO conta a história de um homem obcecado por prazeres pouco convencionais que é tragado para o inferno. Inspirado nas afinidades peculiares do autor, o sadomasoquismo é um tema constante em sua arte.
Se você é fã de Clive Barker, precisa ler sua primeira obra-prima. O mestre sombrio finalmente chegou à DarkSide®.

Para matar os desejos de todos os fãs, e prontos para comemorar os 30 anos de seu lançamento, HELLRAISER - RENASCIDO DO INFERNO chega às livrarias em duas edições como só a DarkSide® Books sabe fazer: Limited Edition (capa dura) e Classic Edition (com a revolucionária capa com book frame®).

Preparem os bolsos galera... esse lançamento está matador.
Previsão para Setembro/15.

Fonte: http://www.darksidebooks.com.br/hellraiser-renascido-do-inferno/

domingo, 16 de agosto de 2015

It, A Coisa -- Stephen King

Por falar em livros...

Semana passada terminei a leitura de It - A Coisa, de Stephen King. É um livro de 1.102 páginas (a edição anterior, da editora Objetiva era desmembrada em dois volumes mais finos, nesta edição mais atualizada, a Suma juntou os dois livros em um volume só e a tradução foi revista). Particularmente, gostei bastante da tradução da Regiane Winarski, a leitura flui super bem (tem erros, teeeem, mas poucos que eu tenha visto) e terem mantido o nome do palhaço Pennywise, no original, ao invés do intragável Parcimonioso da edição anterior, é uma grande vitória. (Ok ok, eu sei que não é errado, que era correto - Penny = centavos ; Wise = sábio ; Pennywise = o que é sábio com centavinhos, ou seja, quem é Parcimonioso com seus gastos, mas whatever! soava mal para caramba!)
Quando do relançamento, eu havia comprado minha edição em uma promoção daquelas imperdíveis, e desde então ele estava aqui, lacrado e aguardando ânimo para início da leitura. 


Como sabem, mudei de emprego há uns três meses e agora já não faço mais aquele trajeto a pé de 7 km por dia (ida e volta), agora dependo de trólebus + ônibus, o que, no final da tarde, me proporciona pelo menos quarenta minutos em pé, no ponto de ônibus esperando o velho 006 chegar ao T. Piraporinha para poder me levar para casa. Ao invés de ficar praguejando contra minha sorte de não ter um carro, e contra a demora e atraso diárias do busão, ando sempre com um livro na mochila, para poder aproveitar ao máximo esses inevitáveis minutos de espera. Decidi fazer isto com com It, apesar do peso e funcionou bem, porque consegui ler em cerca de vinte dias.

"Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e... do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em 'It - A Coisa', clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites".


Aviso aos navegantes: a resenha abaixo pode conter spoilers. Estou tão envolvida com a história e tão apaixonada por ela que não consigo analisar se estou revelando mais do que deveria para o conforto de alguém que não conheça a história. Continue a ler por sua conta e risco...

Bom, sobre o livro em si: É incrível. Vejo muita gente reclamando que é prolixo, que é enrolado, que demora demais para chegar ao ponto, que o final é tosco e deixa a desejar (vide o filme), mas confesso que amei cada página. Não consigo imaginar nenhum capítulo ou passagem que pudesse ser suprimido para facilitar a leitura. Capítulos se alternam entre passado e presente e são usados diversos pontos de vista da narrativa (já sabem que adoro!). Alguns mistérios insinuados no decorrer das páginas, só são revelados nas últimas páginas, talvez isto reforce a impressão de "enrolação", principalmente para quem demora meses para terminar a leitura, mas quanto a mim, não pensei isto em nenhum momento.

O livro conta a história de um grupo de amigos pré-adolescentes, que em 1958 não são nada populares, e sofrem nas mãos dos valentões da escola, em Derry, Maine. Temos o Gago, o Gordo, o Asmático, o Judeu, o Negro, o Bocudo e a Garota. Ao longo das páginas, vemos que até a própria Derry, com suas incongruências e seus picos de violência desenfreada é um importante personagem da história. Neste ano de 1958, há um surto de assassinatos de crianças - uma delas, o irmão de Bill Gago, o George (o garotinho de cinco anos, de capa de chuva amarela, que em um dia de chuva, sai para soltar seu barquinho de papel - construído para ele pelo irmão mais velho - nas enchentes da cidade e o vemos ser atacado por algo que sai de um bueiro já nas primeiras páginas). A cidade mergulha então em um clima de medo e insegurança para as crianças que nela moram. Ao mesmo tempo, uma figura sinistra é vista em diferentes locais e por diferentes crianças: uma figura fugidia de um palhaço, que se diz Pennywise, o palhaço dançarino, cuja figura atraente ao universo infantil (oferecendo balões e malabares digno de circo), instantaneamente se metamorfoseia em características ameaçadoras, que revelam sua verdadeira intenção. Nosso grupinho de amigos, O Clube dos Otários (ou Perdedores, como na tradução anterior) se junta inicialmente para formar uma frente unida contra o valentão Henry Bowers, o bullier da escola, e de forma meio canhestra acabam conseguindo em situações diversas, botar o valentão e seus amigos para correr. 
A amizade entre eles, cresce, se fortalece e desempenha papel decisivo naquele longínquo ano de 1958, na derrota da Coisa que aterroriza Derry e que se esconde nos subterrâneos da cidade, faminta de crianças, medos e gritos. No final daquele ano, eles se separam, cada um vai para um canto diferente do país com a família, mas antes de partir, eles de forma ritualística, firmam uma promessa com sangue: se um dia A Coisa voltasse, eles voltariam para combatê-la novamente.

Passam-se os anos, lembranças são esquecidas. Em uma certa noite de 1985, seis telefones tocam. Uma única frase é dita a seis pessoas que - de início - não fazem ideia de seu significado: "A Coisa voltou. Você vem?"
Uma simples frase com tanto poder de trazer à tona tantas lembranças (embora algumas só voltem completamente beeeem no finalzinho do livro), sentimentos e que causam tantas mudanças nas vidas - aparentemente bem estabilizadas - de seis adultos sem nenhum contato entre si.

É isso, em 1985, A Coisa volta. Mike Hanlon (o garoto negro do Clube dos Otários) foi o único que continuou morando em Derry, como um farol, um sentinela do destino pelo que poderia estar por vir. Quando, em 85 uma nova onda de assassinatos volta a ocorrer em Derry, ele sabe que tem de convocar os antigos amigos, para cobrar aquela promessa solene feita com todo o fervor infantil de que eram capazes.
Acompanhamos o reencontro destes amigos, sua reconexão, as lembranças voltando pouco a pouco para revelar os pontos cegos daquele primeiro confronto contra a coisa, 27 anos antes. Sim, um dos pontos (altos, em minha opinião) da narrativa é esse: sabemos desde o início que eles lutaram contra A Coisa e a derrotaram, porém os detalhes dos "como", "quando" e "com o que", só são revelados nas últimas páginas do livro, lado a lado com o embate atual, em capítulos que se alternam na linha do tempo, criando um suspense dinâmico e muito bem amarrado.

Ao longo da reunião e reconexão dos amigos e com suas promessas, Mike Hanlon, bibliotecário de Derry, revela algumas descobertas interessantes sobre Derry - nossa personagem central, cidade que vive, respira e odeia, com suas redes subterrâneas tão viva quanto artérias principais de um corpo humano. Que em ciclos de aproximadamente 30 anos, voltando no tempo e na História, a cidade é acometida por ciclos de violência exacerbada, e clima natural hostil, como se algo nela - algum deus antigo, talvez? - exigisse sacrifícios cada vez mais bárbaros para ser apaziguado e voltar a hibernar. Esta é a grande sacada do livro. Particularmente, eu como uma boa garota dos anos 80, nunca gostei de palhaços. Não diria que é medo (coff coff é medo sim coff coff), mas nunca gostei de palhaços e me sinto extremamente desconfortável diante deles. Quando se pensa em It, no filme, pensa-se no palhaço assassino. Bom, no livro, vemos que não é só isso. O Mal que reside em Derry e muito maior do que Pennywise, o palhaço é somente uma de suas faces - talvez a face mais atraente às crianças, das quais se alimenta, mas é um Mal maior, mais irrestrito, mil vezes pior do que só um palhaço, é um mal que cria raízes fortes no coração humano, e isso é o mais assustador de tudo! E foi assim que me curei de meu medo de palhaços, jovens senhoras e jovens senhores! Ok, leitores antigos, certamente a esta altura estarão revirando os olhos e dizendo "ora essa, essa daí parece que descobriu a pólvora!" mas para mim, esta revelação foi crucial para o envolvimento com o livro. Se fosse um livro só sobre um palhaço assassino... certamente não teria me impactado tanto.

Eu sou uma leitora adulta muito chata. Não tenho muita paciência com livros infanto-juvenis, com aquelas questõezinhas ginasiais, duvidazinhas de "beija ou não beija", ter de voltar para casa antes das dez, de ser popular ou não, bem me queres e mal me queres. Não gosto, não tenho paciência. Falha minha, talvez, fazer o que?... Gosto de livros consistentes, com dramas reais, medos reais, medos universais, assuntos adultos. Apesar das personagens de It serem crianças (em boa parte do livro) não são criaaaaanças... são tão maduras, com suas vivências e experiências e profundidade, que me fez amá-las e sentir muita falta delas ao final do livro.

Apesar de vencidas as 1.102 páginas, assim que terminei. Tive de combater o desejo insano de reiniciar a leitura imediatamente e até agora estou meio que sem saber o que ler em seguida. Sensação de que tudo o que vier daqui por diante, possa ser um anticlímax.

Ah propósito, sei das conexões de It com o universo da TN, mas como não li a saga, tudo me passou despercebido sem dó, nem piedade, mas foi uma delícia ver um jovem Dick Hallorann (o cozinheiro do Hotel Overlook em O Iluminado) ser mencionado pelo pai de Mike Hanlon em certa altura. E gostei do final, levemente lovecraftiano, com o que pode haver além da escuridão.

Recomendadíssimo. 
Amei.
5 estrelas. 
Bip bip Richie... O livro é tudo o que dizem, e mais um pouco...  <3

sábado, 13 de junho de 2015

Deborah Curtis - [Tocando a Distância] Ian Curtis & Joy Division

Por falar em livros, esta semana, devido a um defeito na linha telefônica, que detectei na noite de terça e que me deixou sem telefone e sem conexão até a manhã de sábado (thank you Vivo!), consegui ler dois livros, o primeiro foi Terra em Chamas, o quinto das Crônicas Saxônicas do Bernard Cornwell que estava na fila desde que ganhei de amigo secreto em 2011... e o segundo, sobre o qual gostaria de falar um pouco é a biografia do Ian Curtis e Joy Division escrito pela esposa do Ian, Deborah Curtis.

Ganhei este livro em um sorteio da KissFM no final do ano passado, e assim que o trouxe para casa, meu marido (grande fã do Joy) pegou para ler e sumiu com ele. Como precisava de um livro impresso para carregar na mochila e ler enquanto espero o ônibus (emprego novo, busão novo, e não tenho coragem de sacar meu tablet assim, na rua) revirei a estante e consegui encontrá-lo. Li rapidinho. 


Tocando A Distância - A curta, genial e trágica trajetória de Ian Curtis, vocalista do Joy Division, faz parte daquelas grandes histórias do rock’n’roll. Viveu rápido, morreu jovem e virou mito. Tocando a distância é o relato íntimo, aprofundado e fiel das duas personas do cantor, o mito e o homem, escrito pela única pessoa qualificada para essa missão: a sua viúva Deborah Curtis. Reverenciado por seus colegas (“a voz sagrada de Ian Curtis”, disse certa vez Bono Vox, do U2) e idolatrado por seus fãs, Ian Curtis deixou um legado artístico formidável. Hipnotizante em cima do palco, mas introvertido e propenso a variações de humor na vida particular, Ian cometeu suicídio em 18 de maio de 1980. Essa biografia mostra como Ian Curtis foi seduzido pela glória de uma morte prematura, mesmo com esposa, filha e o iminente sucesso internacional. Considerado o livro essencial sobre esse ícone da era pós-punk, o volume traz prefácios escritos por grandes nomes do jornalismo musical: o inglês Jon Savage e o brasileiro Kid Vinil. O premiado filme Control, de Anton Corbijn, foi baseado nesse livro. A obra ainda inclui todas as letras (algumas inéditas), escritos inacabados, fotos do arquivo pessoal de Deborah Curtis, discografia e a lista de shows do Joy Division.


Se é verdade que toda a história tem três lados: o dela, o dele e a verdade; temos em "Tocando a Distância", somente o lado dela na história. Ela, sendo a esposa de Ian Curtis, Deborah Curtis, namorada de adolescência, que virou esposa e conviveu com ele dos dezesseis anos até sua morte, aos vinte e quatro.

Eu achei o livro pungente, cheio de sentimentos, e compreendi muito do posicionamento dela em relação a tudo o que aconteceu, porém, nem de longe soa como a verdade nua e crua - ou melhor, soa tanto como a verdade nua e crua - que nos faz ter a impressão de que não é a verdade natural, e sim uma racionalização em cima de uma verdade muito mastigada, há muito digerida e reformatada para se encaixar em uma suposta paz de espírito. 
Talvez seja inevitável consequência do que causa o suicídio de alguém próximo, talvez seja resquício da raiva por ter sido traída, não dá para saber ao certo. 

Deborah fala da vida de Ian desde a infância, passando pela adolescência e sua obsessão por fazer parte da cena musical pós-punk que tanto gostava. Suas tentativas de formar uma banda, o relacionamento com amigos, as experimentações com drogas, os ataques de frustração, revolta e ciúmes, a tentativa de suicídio na adolescência...  Fala de um jovem desajeitado, solitário, inteligente, mas de certa forma, manipulador e um pouco alheio às pessoas ao seu redor, com profundo poder de empatia por desconhecidos, mas frio e distante de quem lhe era mais próximo. Teimoso e focado, cheio de planos para o futuro da música, mas muito pouco focado no lado prático da vida, como foi até o fim. 
Nos debatemos pelas páginas entre a compreensão e respeito por um exacerbado instinto artístico (ah, eles são tão extravagantes, e podem tudo!) e o forte sentimento de que aquele homem era, antes de tudo, um egoísta! Pobre esposa.... Mas aí entra aquela coisa: falta o lado dele na questão (e claro, faltaria também, sempre, a verdade).

Foi interessante acompanhar o surgimento do Joy Division (anterior Warsaw), desde o embriãozinho na mente do Curtis, compreender a inspiração para algumas letras (insisto que não sou profunda conhecedora da cena musical dos anos 80, mas sou uma curiosa entusiasta) e apesar do azedume de algumas passagens devido à condescendência da esposa, foi possível reviver alguns dos shows e cenas com base na narrativa da Deborah. 

Ian Curtis, fosse pela sua doença (ele foi diagnosticado com epilepsia e depois de casado tinha ataques epilépticos constantes - inclusive no palco) ou pela depressão (e atração pela morbidez) que aparentemente o acompanhou vida afora, foi uma pessoa atormentada (góteco!) e nada fácil de se conviver. Ambos eram muito jovens, e depois do nascimento da filhinha, Natalie, as coisas podiam - deviam, talvez - ter mudado, com o tempo (quando ele se suicidou, ela tinha pouco mais de um ano). Talvez se ele não tivesse se suicidado em 18/05/1980, enforcando-se no chão da cozinha para a esposa encontrá-lo, talvez tivesse chegado a uma maturidade, uma vida minimamente suportável, confortável... mas desistiu antes, e todos ao seu redor se surpreenderam. O livro é recheado de "ninguém diria!" "se ao menos tivéssemos visto os sinais". Cheio de culpa. E de resignação. 

Tenho nojo de homem que trai. Aliás, tenho nojo de gente que trai. Já fui mais cabeça aberta em relação a isso, já compreendi, já filosofei, mas acho que quando a gente assume um compromisso para a vida toda (mais do que para com a outra pessoa, mas para conosco mesmos), a gente tende a se recobrir com uma carapaça que é até uma forma de auto-proteção. Sei que estou errada, que trair é normal, que não é um fim de mundo. Mas lá dentro, o meu astronauta interior (lá no fundinho de minha mente) grita: Mas caramba! O cara todo estropiado, ainda fica dando brecha pra groupie. Filho da puta, francamente, viu!!!"
Mas ei, essa sou eu. 

Se sua genialidade musical se devia a este seu tormento interno, ou este tormento interno se agravou devido à sua genialidade musical, acho que ninguém jamais saberá.

Boa leitura. Triste. Cheia de fotos e letras de músicas, com tradução, escritos inacabados e letras inéditas. Acho que para Deborah Curtis, contar sua história foi uma espécie de ponto final em um assunto doloroso. Que bom que ela compartilhou-o conosco. 


sexta-feira, 5 de junho de 2015

[LANÇAMENTO] Stephen King - Finders Keepers (Bill Hodges Trilogy #2)

Por falar em livros..

Saiu essa semana, em 02 de Junho, o segundo livro da trilogia Bill Hodges, iniciada com "Mr. Mercedes" em 2014. Tida como primeira inserção do King no mundo de thrillers policiais (e de trilogias), o livro tem 448 páginas, e sem previsão de lançamento no Brasil. A editora brasileira do King, aqui no Brasil, a Suma de Letras, adiou o lançamento do primeiro livro para 2016, oremos para que o segundo saia em 2017.



À esquerda temos a capa britânica (a que eu achei mais linda!) e à direita, a capa americana


"Finders Keepers" (em tradução livre, "Achado não é Roubado") - um romance magistral e intensamente cheio de suspense sobre um leitor cuja obsessão com um escritor recluso vai longe demais - é um livro sobre o poder das histórias, estrelado pelo mesmo trio de improváveis heróis que King apresentou em Mr. Mercedes.

"Acorde, gênio". Assim se inicia a instantânea fascinante história sobre um vingativo leitor. O gênio é John Rothstein, o icônico autor criador de um famoso personagem, Jimmy Gold, mas que não publica um livro há décadas. Morris Bellamy está furioso, não só porque Rothstein parou de publicar livros, mas porque o inconformado e rebelde Jimmy Gold se vendeu a uma carreira em publicidade, no último livro publicado. Morris mata Rothstein e esvazia o cofre onde ele guardava dinheiro, sim, mas o verdadeiro tesouro são as cadernetas contendo ao menos mais um romance da série Gold.


Morris esconde o dinheiro e as cadernetas, e então é peso por outro crime. Décadas depois, um garoto chamado Pete Saubers encontra o tesouro, e agora é Pete e sua família que Bill Hodges, Holly Gibney e Jerome Robinson deve salvar do cada vez mais desequilibrado e vingativo Morris, quando ele é libertado da prisão, após trinta e cinco anos.


Desde Misery (Louca Obsessão), King não brincava com a noção de um leitor cuja obsessão com um autor se torna perigosa. Finders Keepers é um suspense espetacular, de acelerar o coração, mas é também King escrevendo sobre como a literatura pode forjar uma vida - para o bem, para o mal, para sempre..



Sem me aguentar de ansiedade, é claro que dei meus pulos para conseguir o ebook já no dia lançamento (consegui até um dia antes \o/) e terminei a leitura ontem. 
De certa forma, como sabendo ser o segundo livro de uma trilogia, eu fiquei meio que esperando (ah, as expectativas, essas malvadas!) a presença triunfal de Bill Hodges, Holly Gibney e Jerome Robinson logo no início, me puxando pela mão através de mais um mistério envolvendo loucura, explosões e ritmo vertiginoso o qual tirariam de letra, logo de cara. Só que não.

Finders Keepers oscila capitulos entre presente e passado, tem um ritmo próprio e demora bastante até o link entre as duas histórias realmente se estabelecer. Lógico que logo no início revisitamos a cena do ataque do Mercedes cinzento às pessoas na fila da Feira de Empregos, que é a cena de abertura do Mr. Mercedes, mas tirando esta interligação, a história - pode-se dizer - é avulsa.
Bill Hodges só vem a aparecer na segunda parte do livro (Old Pals), e até lá já rolaram 176 páginas e já estamos imersos em outro ritmo e outras vivências. A narrativa se alterna entre diversos pontos de vista (yey!) e isto eu acho ótimo, porque damos uma olhadela dentro da mentalidade do vilão. A respeito do vilão... o que dizer? ele é louco de pedra! Artigos insistem em traçar um comparativo entre ele e Annie Wilkes (a fã número 1 de Misery) e só o que posso dizer é que, apesar da loucura presente nos dois, enquanto a obsessão de Annie pode até ser considerada pueril e honesta (tipo aquela coisa de solteirona que se deixa envolver em histórias românticas, óbvio que levado às últimas consequências) chegando até a dar dó em certas partes, Morris Bellamy é um adolescente pedante, mesmo ao sair da prisão, aos sessenta anos. Irritante, meio difícil se identificar. Até compreendemos sua loucura, sua revolta e obsessão, mas não dá para se identificar muito. Livro afora, vemos que apesar de inteligente, seu cérebro meio que não evoluiu daquela rebeldia adolescente (qualquer semelhança com O apanhador no Campo de Centeio é mera coincidência?) e do inconformismo pelo seu autor favorito ter pervertido seu herói, transformando-o em um homem conformado e assentado, que trabalha das oito as cinco e tem esposa e uma casinha com cercado branco no quintal. 
A diferença crucial, ao meu ver é que: enquanto Annie idolatra autor E obra, Morris Bellamy pouco se lixa para o autor. Sua paixão é a obra. E isso por si só, já é uma mudança interessante! 
Quando conhecemos Pete Saubers, (o garoto que encontra o tesouro) meio que entramos em outro ritmo da história, vivendo uma típica história de aventura juvenil (cheia de altas aspirações e boas intenções, como os Goonies) e é com um sorriso nos lábios e uma dorzinha no coração que vemos como ele se empenha em "resolver os problemas" pelos quais seus pais passam -- aliás, um adendo: achei as figuras paternas muito alheias à situação no geral... não me convenceu muito também. O garoto passa por longos períodos de sofrimento ético e de auto-suplício por ter talvez tomado uma decisão errada e o medo de ser julgado por isto. Em parte, estas cenas são bem arrastadas - rs, mas sentimos como o garoto foi afetado por tudo o que lhe aconteceu.
No final há o grande embate do bem (Pete) contra o mal (Morris) em uma cena que me remeteu de leve ao embate de Paul Sheldon contra Annie Wilkes.
Uma coisa que eu achei bem legal (ou que pode ser um verdadeiro fracasso, vai depender de como King resolva levar isto adiante) foi o aspecto sobrenatural que ele inseriu, ausente em Mr. Mercedes (não dá para falar muito, senão vai ser um grande spoiler). Mas fica uma bela ponta para o próximo livro, que, segundo o autor em uma entrevista recente, se chamará "The Suicide Prince" [mudou, agora se chamará "End of Watch"].
Que venha!

See you later!