terça-feira, 9 de julho de 2013

Marina e sua coleção de promessas

da série "recordar é viver " ou "onde diabos eu guardei aquele texto?"


Já há alguns minutos sentia o peso de um olhar queimando em sua nuca.
Disfarçadamente levantou os olhos de seu copo para o espelho em sua frente. Loiro, pele um tanto avermelhada, obviamente por causa do calor que reinava naquela espelunca barulhenta. O bigodinho de suor típico dos muito brancos, brilhando ali à meia luz lhe deu um arrepio. Essa era a parte que menos gostava. Por que todos eles tinham sempre de ter algum defeito? E por que estes defeitos tinham de ser tão evidentes? Sempre aparecia alguém interessado em noites como essas, mas algumas coisas eram-lhe muito difíceis de ignorar: aquela chuva de caspas manchando uma camisa escura, salsa grudada no dente, cheiro de cigarro e os malfadados bigodes de suor. O homem não era feio. Alto e magro, cabelos curtos e uns olhos claros bastante expressivos. Ele desviara os olhos assim que os dela o encontraram, de um jeito envergonhado que ela achou até atraente. Fixou seu olhar e aguardou, após olhadas furtivas por parte dele seguidas por fugas envergonhadas quando percebia que ela ainda o observava, ele lhe deu um sorriso. Deliberadamente, não correspondeu e dirigiu seu olhar para outro ponto, varrendo o bar com desinteresse. Fazia parte da caça, embora ela não estivesse realmente no espírito de caçar aquela noite, era instintivo. Velhos hábitos, são difíceis de serem mudados. Naquela noite, sentia tanta raiva do mundo que só de pensar em permitir uma aproximação se enchia de repulsa. Avaliou sua situação... não queria ser uma feminista balzaquiana solteira e amarga com alergia a homens, muito pelo contrário, sempre fora calorosa e fogosa em suas relações – que não foram poucas – mas decepção após decepção tiveram o poder de fazê-la ir secando aos poucos, foi se encolhendo, se esvaziando, sentindo os impulsos e instintos esvaindo-se até se encontrar no ponto onde estava atualmente: o de achar que ninguém merecia o melhor de si. Amargamente reviu acontecimentos recentes... Luciano quase a convencera que desta vez seria diferente, conseguiria livrá-a de seu medo, insatisfação e ceticismo por um tempo, levara-a a acreditar que o Amor equilibraria as contas do destino e ela enfim conseguiria deixar de sentir aquela sensação horrível de estar sempre dando mais do que recebendo da vida. Entregara-se a ele com paixão, empenho e um entusiasmo quase infantil, desde o começo.
- Oi, posso me sentar aqui? - a voz dele quebrou o rumo de seus pensamentos.
Quis dizer não. Queria ficar sozinha, pensando em Luciano... curiosamente foi justamente isso que a fez sorrir com educação.
- Claro, à vontade.
- Obrigado. Estava mesmo me sentindo deslocado no meio dessa bagunça toda, e quando a vi aqui, tão sozinha quanto eu, algo me disse que aí estava alguém especial, que valia a pena conhecer.
Blá, blá, blá... uma vozinha dentro de sua cabeça se revoltou. Não queria conhecer ninguém, esse papinho morno de conhecer alguém a irritava enormemente. Era sempre a mesma coisa. O melhor sorriso, o melhor olhar, todo mundo amável, interessado e interessante, como se algum prestasse! Tomou um longo gole de sua bebida e encarou-o. Os olhos dele sorriam abertamente, com ar manso... ele não parecia um tarado e ela resolveu dar uma chance. Afinal, em sua situação atual, ouvir e falar era melhor que o silêncio. O silêncio impregnado de Luciano.
- Vou pedir outra bebida para você – ele disse, empolgado – este aí é bloody mary, não? Quer outro?
- Sim, obrigada. Luciano só de cuecas, mexendo numa coqueteleira um bloody mary improvisado com polpa de tomate, numa noite de domingo, aos pés da cama de onde ela o observava, apaixonada e morrendo de rir...
- Isso é bom? Nunca provei. Fico sempre nas bebidas mais fortes.
Foi uma conversa amena, ele provou de seu bloody mary e disse ser estranho. Ela disse que gostava de coisas estranhas. Ele jogou a cabeça para trás e riu alto. Não era culpa dele que ela estivesse com o cérebro fodido e que cada frase trocada lhe evocava outros momentos, outra pessoa... Luciano em todos os lugares... seus olhos amendoados e espírito confuso, seus arroubos de hilaridade, seus surtos de mau-humor, sua humanidade e seus defeitos, tais quais os dela. Imperfeito na medida certa. Ela quisera casar, e tinha certeza que ele também. Esperara meses, e em uma noite mágica, tivera a certeza que ele a pediria em casamento. Toda emocionada ouviu-o dizer “tenho de lhe dizer algo”. Seu coração se apertou um pouco antes de disparar, tinham acabado de fazer amor e ela ainda sentia o corpo trêmulo e quente. Respirou fundo e preparou-se para o momento mais lindo de sua vida. “Conheci outra pessoa, Marina. Estou te deixando”. Era tudo tão diferente do que estava esperando ouvir que demorou para ela processar o sentindo do que acabara de ser dito. E então a consciência viera, lenta e amarga.
E então houvera choro, houvera gritos... houvera humilhação...
A conversa com o louro - Marcos, ele se chamava - ia longe. Ele monologava sobre suas viagens, seu trabalho.
- Você não fala muito, não é, Marina?
Ela dirigiu-lhe um sorriso encantador.
- Falo sim, é que sua conversa está fascinante. Eu sempre quis viajar também.
- E por que não vai?
É mesmo, por que? Porque era uma doente covarde que estava sempre presa a alguém... mas isso ela não diria, claro. - Boa pergunta! A gente vai deixando... por uma coisa ou outra, e o tempo passa... tem sempre algo mais imediato...
- Você devia tentar. Posso te dar umas dicas se quiser. Pessoalmente, eu adoro a parte de planejar e arranjar todos os detalhes, para quando colocar o pé na estrada estar tudo previamente previsto.
Viagem com Luciano à praia... circundando todo o litoral, sem planejamento algum, sem paradas programadas, somente absorvendo as praias maravilhosas, as pessoas diferentes, sentindo o cheiro do mar, a brisa morna, sem saber onde iriam parar, o vento entrando pela janela do carro, o jeito displicente dele dirigir, auto-confiante e certeiro. Como se sentira segura. E a vista do mirante... estar no topo do mundo, é... ela estivera lá por um tempo, no topo de vários mundos, pena que um deles desmoronara há pouco tempo, Luciano o levara com ele.
E assim foi noite afora. Várias bebidas, depois de um tempo, o papo fluía com certa facilidade, ela se sentia relaxada. O bar fechou. Marcos perguntou se ela queria ir para outro lugar. Acabaram indo para o hotel onde ele estava hospedado. “Pra conversar” ele garantira. Ela estava um pouco tensa a princípio, mas deixou-se envolver, ele estava sendo gentil e divertido, e ela queria muito que sua mente fosse para outro lugar, um lugar onde Luciano não estivesse marcado. Eles transaram, depois do sexo, deitados, ela com a cabeça no peito dele, sentindo-se saciada e aquecida, pensando que talvez ela fosse mesmo viajar... talvez fosse com ele, soltou um suspiro feliz.
- Quem me dera minha esposa fizesse essas coisas! Você foi ótima! - ouviu-o dizer, dando-lhe um tapa brincalhão na bunda. - Quer que eu chame um taxi?
Luciano dizendo “Nunca daria certo entre nós. Não posso lhe dar o que você precisa.” Maldito, nem ao menos se preocupou em descobrir o que ela precisava, em tentar! Sorrindo mansamente dirigiu-se ao banheiro, tomou uma ducha, acalmou o espírito e na volta para o quarto, pegou as taças e o vinho que tinha ficado intocado na mesinha. Estendeu-lhe uma taça, e conversando futilmente sobre nem sabia o que, observou-o tomar todo o vinho. Ele tinha mesmo belos olhos... mas aquele bigodinho de suor... - seu estômago se revoltou – será que era permanente? Sentiu nojo enquanto falava e falava, até que viu-o cambalear por uns segundos e, dois minutos depois ele jazia num estado de semi-inconsciência. Ela abriu a sua mochila, tirou um cutelo e decepou-lhe o pau. Ele abriu os olhos, em espanto e dor, mas não emitiu um som, nem se moveu. Estava paralisado, lágrimas escorreram e ele desmaiou novamente. Ela aplicou-lhe uma injeção, guardou aquela coisa mole e nojenta, ensanguentada em um pote que tirou da mochila, cheio de um líquido translúcido, limpou-se, foi embora.
De volta ao apartamento escuro... vazio. Pousou a mochila no sofá, largou as chaves do carro, pisou descalça no tapete felpudo e suspirou. Seu gato de um pulo saiu do canto escuro da sala para o sofá e começou a cheirar a mochila. Ela tentou chamá-lo para um afago, mas ele não veio. Abriu a mochila, tirou o pote e foi para o pequeno cômodo do apartamento, misto de escritório e quarto de bagunça. Dirigiu-se a uma prateleira no canto e pousou o pote lado a lado a outros cinco, um tanto empoeirados. Por alguns instantes ficou olhando, e tirou um outro, mais escondido, emparelhando-o com os outros. Para este não gostava de olhar, e várias vezes empurrava-o para trás, escondendo-o de suas vistas. O órgão ali não fora bem conservado, afinal fora o seu primeiro! Tantos anos atrás... jazia meio mumificado e escurecido. Com o passar do tempo ela fora aprimorando as técnicas, e os outros provavelmente durariam para sempre...
Assim como as lembranças. Sete membros mutilados, sete homens para quem dera o melhor de si, e que acharam que o melhor que podia dar a ela era o pau, ela somente se sentira no direito de tomá-los para si. Cada corpo daqueles, lhe fizera uma promessa, ela somente a cobrara, uma a uma.
Com um sorriso satisfeito, jogou-se na cama, nua. Estava exausta...
Antes de pegar no sono, pensou distraída... como era mesmo o nome do cara do bigodinho de suor?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

revelada a capa de The Darkest Craving (LOTU #10)

A autora Gena Showalter revelou hoje - em seu blog e facebook - a capa do livro The Darkest Craving, livro 10 da série Senhores do Mundo Subterrâneo.

Tchan tchan tchan...
Ei-lo, Lord Kane em toda a pompa de sua barriga de tanquinho....



Digno de um início de apocalipse, huh?


A previsão de lançamento do livro é 30 de Julho de 2013.





23/01/2013

Ok, a Gena acabou de postar em seu facebook:
We had some questions pop up about the Darkest Craving cover, so I thought I'd tackle what I can here :) (side note: most often publishers design book covers, most authors actually have very little say, so I can only answer questions I know the answers to :) But, I can tell you this: the butterfly was not put on Kane's body because in reality (well, fictional reality) that tattoo is located in a place we aren't allowed to show -- unless we want to sell the book in a paper bag LOL In the book "Into the Dark" I talked about how Kane's tattoo is located on his right rip, and in the book, I show how it's on the lower part and wraps around a... certain part of his body. So, this was the only way for us to still have a butterfly on the cover while remaining true to Kane's character. I was very very happy we had this solution and I hope you are too, now that you know the reason :) 
Traduzindo: Surgiram algumas perguntas sobre a capa do livro The Darkest Craving, então eu pensei em esclarecer o que eu puder aqui :) (em tempos: geralmente a editora desenvolve a capa dos livros e os autores mal podem opinar sobre elas, então eu só posso responder às perguntas às quais sei a resposta :) Mas, eu posso lhes dizer isto: a borboleta da capa não foi colocada no corpo do Kane porque, na verdade (bem, na verdade da ficção) a tatuagem está localizada em um lugar impossível de ser mostrado - a menos que queiramos que o livro seja vendido com uma tarja sobre a capa (LOL). No livro"Into the Dark" foi dito que a tatuagem de Kane é localizada em seu quadril direito, e no livro, eu mostro como é  mais embaixo e se enrosca em torno... de uma certa parte de seu corpo. Então, este foi o único jeito de continuarmos tendo uma borboleta na capa e nos mantermos fiéis ao personagem do Kane. Fiquei feliz com a solução e espero que vocês também, agora que sabem o motivo :)



domingo, 2 de dezembro de 2012

Shadow's Claim [The Dacians #1], Kresley Cole

Shadow’s Claim features Prince Trehan, a ruthless master assassin who will do anything to possess Bettina, his beautiful sorceress mate, even compete for her hand in a blood-sport tournament— to the death.
HE WON’T BE DENIED
Trehan Daciano, known as the Prince of Shadows, has spent his life serving his people—striking in the night, quietly executing any threat to their realm. The coldly disciplined swordsman has never desired anything for himself—until he beholds Bettina, the sheltered ward of two of the Lore’s most fearsome villains.
SHE’S BOUND TO ANOTHER
Desperate to earn her guardians’ approval after a life-shattering mistake, young Bettina has no choice but to marry whichever suitor prevails—even though she’s lost her heart to another. Yet one lethal competitor, a mysterious cloaked swordsman, invades her dreams, tempting her with forbidden pleasure.
A BATTLE FOR HER BODY AND SOUL
Even if Trehan can survive the punishing contests to claim her as his wife, the true battle for Bettina’s heart is yet to come. And unleashing a millennium’s worth of savage need will either frighten his Bride away—or stoke Bettina’s own desires to a fever pitch. . . .


Dia 26/11 foi lançado o primeiro livro da série The Dacians: Shadow's Claim, que seria antes o 13º livro da série Immortals After Dark. Consegui rapidinho o ebook, e terminei de ler hoje, depois de uns dias devorando as páginas...

Gostei bastante do livro... sou fanzaça da narrativa da Kresley Cole, não tem jeito. Ter um pouco que seja de Lothaire e Nÿx é impagável - são sempre personagens muito divertidos.

Bom, o que dizer de Shadow's Claim sem revelar muito?
A estória cronologicamente se desenvolve em paralelo à do livro Lothaire (IAD 12), com os acontecimentos do despertar da La Dorada, o emparelhamento do Lothaire, o sumiço de Melanthe, Lothaire no trono de Dacia sendo citados como marcadores para situar os fatos.

Fatos: Trehan é um vampiro da Dacia (Reino de Sangue e Névoa), um reino escondido e ancestral, cuja lei diz que entra não pode mais sair, sob pena de morte... O responsável por estas mortes é o frio, implacável e cruel Trehan, a espada do reino. Em uma da missões, ele vai parar no reino de Abbadon, para matar Caspion, um demônio abbadonae que se abrigou em Dacia por um tempo, e eventualmente fugiu. Em sua busca por Caspion, ele ve Bettina pela primeira vez, a única herdeira do reino de Abbadon, uma mestiça de demonio e sorceri (feiticeira) de 22 anos, ingenua, medrosa e ainda sem controle de seus poderes. Por um daqueles motivos que só será descoberto na Acession (e talvez também a Nÿx saiba), ele é sangrado por ela, e a reconhece como sua Noiva, a femea que lhe é destinada, com todas aquelas caracteristicas adoraveis que já conhecemos de IAD).
Só que a inocente, jovem, manipulável e medrosa Bettina ama Caspion, seu amigo de infância, alvo do implacável assassino daciano... imaginem então o tamanho do problema...

O livro se desenrola em meio a um torneio de vida e morte, cujo premio é a coroa do reino de Abbadon e a mão da princesa Bettina, então temos paginas e mais paginas de criaturas horrendas, ambiciosas e poderosas se matando para conseguir a coroa do reino. E temos Caspion, fugindo do anjo da morte Trehan, e temos Trehan, se remoendo de ciume, sede e necessidade, enquanto mata os oponentes um a um para conquitar o amor de sua Bride.
Temos paginas e mais paginas de uma Bettina chata, indecisa e suspirante por um Caspion frívolo e mulherengo, e mais de um Trehan apaixonado, paciente, forte, profundamente tentador e sensual. Dá vontade de estapear a mocinha, juro. Mas ela vai se desenvolvendo no decorrer da leitura... ele a ajuda a crescer, ser mais poderosa, confiar nele, coisas assim... E temos páginas bem hot hot dos dois tb, o que é bem típico da autora.

Ao mesmo tempo (como já vimos superficialmente no livro do Lothaire), o reino da Dacia está naquelas, com 4 aspirantes ao trono (Trehan, Viktor, Mirceo e Stalen) abrindo mão do trono em prol de Lothaire, que traz muitas mudanças ao sisudo reino de sangue e névoa (basicamente trazendo mais sangue e menos névoa). A sombra da Acession (anunciada pelo despertar de La Dorada pairando sobre todas as criaturas do Lore, uma valkiria aqui e ali, vislumbres de Sabine na busca pela irmã Melanthe (raptada por Vrekeners em livros anteriores), além de uma pitadinha de Munro McRieve, numa busca cansada pelo irmão Uilleam (talvez assunto do próximo IAD?).
Enfim, todos os ingredientes de um autêntico livro da série Immortals After Dark...

O que ainda me fugiu à compreensão é como a autora pretende (e se pretende) manter esta série separada de Immortals after Dark, com um livro tão dependente.
Uma subsérie só sobre os vampiros da Dacia?
Complicado, um: eles são chatinhos (rs)...... dois: uma das coisas que eu mais admiro em IAD é a complexidade e diversidade de personagens: a série é dinamica! Em um livro as personagens centrais são demonios, no outro são valquirias, no outro são bruxas, no outro lykaes, todos acrescentando um passo no caminho rumo a Acession.
Se houver toda uma série só sobre os vampiros dacianos (cujo pesonagem mais legal é o Lothaire, que já teve seu livro) corre o risco de ficar enfadonha. Só de imaginar um livro todinho pro Mirceo já me dá desespero :\

Mas a leitura foi legal. Dá para acalmar a ansiedade até o lançamento de MacRieve, em Julho de 2013

Alice in Zombieland [The White Rabbit Chronicles #1] Gena Showalter


 Had anyone told Alice Bell that her entire life would change course between one heartbeat and the next, she would have laughed. From blissful to tragic, innocent to ruined? Please. But that's all it took. One heartbeat. A blink, a breath, a second, and everything she knew and loved was gone.


Her father was right. The monsters are real.




To avenge her family, Ali must learn to fight the undead. To survive, she must learn to trust the baddest of the bad boys, Cole Holland. But Cole has secrets of his own, and if Ali isn't careful, those secrets might just prove to be more dangerous than the zombies.




Me decepcionei um pouquinho com este livro.
Gosto muito da série Lords of the Underworld da autora e adoro o tema 'zumbis' (pelo menos no cinema), então acho que cheguei às primeiras páginas de Alice com um pouco mais de expectativas do que seria bom para curtir a leitura.

Eu esperava um pouco mais tempero, tanto nos fatos quanto nos diálogos, mas a falta disto pode ser explicada facilmente pelo publico alvo que é diferente da outra série: este é um livro juvenil. Com todas aquelas coisas de highschool, primeiros beijos, voltar para casa antes das dez, e tudo o mais. Natural que seja menos hot e mais inocente.

A estória em si: Alice Bell é uma garota como qualquer outra, er... mais ou menos: o pai dela é maluco. Ele vê coisas: criaturas que atacam na escuridão, criaturas que só ele vê. Mantém, desta forma a família toda enclausurada, tornando a infância de Alice e principalmente, sua pré-adolescência, um inferno. Eis que, no desenrolar da estória, descobrimos que o único certo da família era o pai, e que as criaturas que só ele via, realmente existem. Após um acidente que mata sua família, Alice começa a ver o que o pai via: zumbis.
Após a perda da família, ela vai viver com a avó e o avô, e na nova escola, conhece Kat, que passa a ser sua melhor amiga e acaba envolvendo-se com a turma de bad-boys local. Só que os aparentemente bad-boys são, na verdade os mocinhos da estória: são eles que protegem, na calada da noite, a cidade incauta dos zumbis que ela nem sabe que existem.
O livro se desenrola mostrando as descobertas de Alice, seu arrependimento pelas vezes que duvidou de seu pai, a saudade da família, o envolvimento gradual com Cole - chefe dos bad-boys combatentes de zumbis - a amizade com Kat e a reconstrução de sua vida pós-orfandade.

É um bom livro, mas não é nem de longe o melhor da autora. Recomendo para adolescentes em geral, acho que se eu tivesse lido com 15 anos, eu teria adorado!
E o vínculo com a obra de Lewis Carrol, para justificar o trocadilho do nome, é muito tênue... muito, muito tênue.

Maus - Art Spiegelman

Maus ("rato", em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu-polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. 
O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. 
No ano seguinte, Maus ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas -história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume. 
Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.


 
Li este por sugestão do marido, que emprestou da biblioteca da escola. 
Não sou super fã de HQ, mas amei Maus. Chorei e me emocionei muito com as tiras, a história do pai do autor e de tantos outros que sobreviveram, e dos que não, das coisas horrorosas que aconteceram durante a segunda guerra mundial representadas em traços crus, monocromáticos. 
Uma visão interna, crua, que emociona simplesmente por ser real, sem ser apelativa. 
Ri em algumas partes em que o autor perde a paciência com o pai, já velhinho lhe contando os fatos para que ele escreva a história. 
A metáfora das escolhas dos animais para representar as diferentes raças também provoca reflexão. Merece ser lido!

Leitura finalizada em 1710/2012

O caçador de Pipas, Khaled Hossein

Ah! Atualizando o lado "cultural" (ou não) da coisa...

Terminei em 30/12/2012 um livro que tinha começado e parado nas primeiras páginas. O caçador de pipas. Li em ebook e praticamente de uma tacada só, terminei de ler no sábado passado, as três da madrugada, achei muito emocionante. Chorei bastante no final. Fui dormir com o coração esmigalhado, pensando e repensando na humanidade, na (ir)responsabilidade de ter colocado um filho no mundo, num mundo tão cruel onde as pessoas são tão fracas, tão mesquinhas, tão más de forma tão desnecessária, tão gratuita.
Que coisa triste é a guerra, e que guerra é viver!
Eu gostei muito da estória. Me identifiquei demais com a fraqueza, as dúvidas, as mágoas, o ressentimento e a covardia de Amir diante da pedra no sapato que é ter uma pessoa tão perfeita, tão iluminada, tão certinha como Hassan era, em sua vida, em sua casa, em seu coração, alguém a quem a gente sabe que TEM  de amar e até ama, mas que no fundo, no fundo, desperta às vezes aquele impulso de provocar e testar para ver até que ponto a perfeição aguenta antes de ceder e ruir, e então aflora o tal do "instinto pelvelso".

E o pai do Amir, tão culpado, tão responsável pelo que o filho se tornou, pela covardia, com seu jeito canhestro de lidar com a paternidade, com as mentiras, no entanto, um tanto justificado por ter criado ele sozinho após a morte da esposa. Tantos defeitos, tantas justificativas, impossível não compreender, não perdoar, a cada um deles...
Um menininho tentando conquistar o pai. A vida inteira. E no final, descobre as mentiras os pés de barro do herói dourado.
Um outro menininho, tão iluminado, tão apaixonadamente justo e fiel, tão inocente.
Os elos que se sucedem, se interligam e culminam na culpa, no medo, na covardia... e na redenção - mas a que custo!
Como a humanidade é triste!

E como eu gostaria de ter o dom de escrever algo que fizesse as pessoas sentirem o que este autor me fez sentir quando eu terminei de ler seu livro. Isto é certamente um dom.Podem questionar a erudição, mas as emoções... as vezes elas bastam por si só!

Volto a dizer... É meio difícil hoje em dia manter-se imparcial, mas a melhor coisa do mundo é ver um filme ou ler um livro de mente aberta, sem saber o que esperar e principalmente  sem cercar-se muito das críticas influenciadoras, por exemplo, eu não sabia direito do que se tratava a história deste livro quando comecei a ler, agora fui pesquisar uma sinopse para postar aqui e me deparei com um monte de crítica de gente que leu e não gostou e tal... imagino então se eu tivesse pesquisado antes, se eu já não teria começado a ler influenciada e então não teria desgostado... vai saber, acho que no final eu estou é ficando velha e bundona mesmo, com um gosto muito brando.
Agora quero ver o filme.

Para quem não conhece, segundo a Wikipedia:

The Kite Runner” (em português, “O Caçador de Pipas”) é um romance do escritor Khaled Hosseini. Publicado em 2003, é o primeiro romance de Hosseini, e foi adaptado a um filme de mesmo título em 2007.

O caçador de pipas conta a história de Amir, um garoto rico de Cabul, no Afeganistão, que é atormentado pela culpa de ter traído seu criado e melhor amigo, Hassan, filho de Ali, também empregado do seu pai. A história tem como cenário uma série de acontecimentos políticos tumultuosos, que começa com a queda da monarquia do Afeganistão decorrente da invasão soviética, a massa de emigrantes refugiados para o Paquistão e para os EUA e a implantação do regime Militar pelo Talibã



Agora eu quero ler "a menina que roubava livros"
parece que o livro é narrado pela Morte, será que entendi bem?

A menina que roubava livros, Markus Zusak


Esta semana (03/02/2010), aproveitando uns dias de pouco movimento lá no serviço, consegui ler A menina que roubava livros do australiano Markus Zusak. Li em ebook, levei apenas algumas horas por três dias. Gostei muito. O livro é narrado pela Morte (o que já é - por si só - tentador o suficiente para convencer a gente a pelo menos ver do que se trata).
É uma estória muito triste, e assim como O Caçador de Pipas, me deixou com o coração apertadinho: primeiro porque a personagem principal é uma garotinha de 10 anos (impossível não se emocionar tendo uma filha! a gente sempre acaba transportando aquilo que lê para a nossa vivência, por algum mecanismo misterioso do cérebro) e segundo, a menina é uma alemã em plena segunda guerra mundial, que por si só já é um assunto pra lá de espinhoso.
A estória é narrada pela Morte, que cruzou o caminho de Liesel Meminger por 3 vezes, e interessou-se pela vida da garota, como distração de seu trabalho constante (conforme ela mesmo afirma, a Morte não pode tirar férias - afinal, quem lhe faria o serviço? - suas férias então são os períodos de distração em que interessa-se pela história de um ou outro humano, que lhe tira momentaneamente o foco de seu trabalho inglório).
Liesel é a roubadora de livros do título. Uma garota de 10 anos que vê o irmãozinho morrer quando ambos estavam a caminho do lar adotivo, entregues por uma mãe tão indiferente quanto incapaz de criá-los. Liesel então é entregue ao casal Rosa e Hans Hubermann cheia de medos e incertezas, num período pré-guerra que certamente vinha anunciando maus ventos. A aparente rudeza de Rosa esconde o coração grande de alguém que "é boa nos momentos de crise", Hans é pintor, vive desempregado (e ouve um bocado de sua esposa, por conta disto) e toca acordeão. Desde o início ele toma para si a tarefa de criar, educar e amar a garota, enquanto Rosa tenta fazer o sustento da família com os parcos recursos vindo de seu trabalho como lavadeira entre muitos xingamentos e pouca comida. Muito pacientemente, Hans ensina Liesel a ler, embora ele mesmo saiba muito pouco (a paciência e o amor dele como pai dela é comovente demais, o amor e confiança cegos dela nele é de partir o coração de qualquer mãe). Após dominar a leitura e descobrir a força e o poder das palavras, a menina entende e nos faz entender um pouco mais através de sua visão o que era a guerra que estava batendo às suas portas.
Muitas personagens vão aparecendo e desaparecendo ao longo da trama, que no final das 353 páginas só cobrem 4 anos da vida da menina, personagens lindas, fortes, sensíveis. através de paisagens frias, sangrentas, dolorosas. No final, todos morrem - como não poderia deixar de ser - mas as vidas que deixaram para trás ainda ficam brilhando um tempão no coração de quem termina de ler as páginas.
Só fica a ressalva: ODEIO finais ambíguos e até agora estou encafifada porque o autor não deixou claro com quem foi que Liesel se casou e teve 3 filhos... eu torço, torço, torço para que tenha sido Max, mas... nunca vou saber e isto é injusto! rs
Rumores correm de que farão um filme em breve... vamos ver.


PEQUENO AVISO SOBRE RUDY STEINER

Ele nao merecia morrer como morreu.

Em suas visões, você vê as bordas empapadas do papel, ainda grudadas em seus dedos.

Vê uma franja loura tremendo. E conclui antecipadamente, como faria eu, que Rudy morreu nesse mesmo dia, de hipotermia. Pois não morreu.

Esse tipo de recordação só me faz lembrar que ele não merecia o destino que teve, pouco menos de dois anos depois.

Em muitos sentidos, levar um menino como Rudy foi um roubo — tanta vida, tanta coisa por que viver —, mas, de algum modo, tenho certeza de que ele teria adorado ver os escombros assustadores e a inclinação do céu na noite em que se foi. Teria gritado, rodopiado e sorrido, se ao menos pudesse ver a roubadora de livros apoiada nas mãos e nos joelhos, junto a seu corpo dizimado.

Teria ficado contente em vê-la beijar seus lábios poeirentos, atingidos pela bomba.

E, eu sei.

Na escuridão de meu coração tenebroso, eu sei. Ele teria adorado, com certeza.

Viu?

Até a morte tem coração.